Page 36 - Manual da ativação da sociedade humanista
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esmola alimentar, lixo alimentar ou sustento do dia angariado na “marra”. Nas rurbanas, são detectados; na penúria imigrante; na morada sórdida em bordas de barrancos fatais, ao lado de córregos poluídos, em margens de rios que vazam; no lixo estocado; na iluminação enfraquecida nos interiores e omitida das ruas. Em todas são reconhecidos no assentamento aviltante; no analfabetismo permanente hereditário; na indiferença apoplética ao sofrimento; na dieta criminosa; na comida restrita; na saúde falimentar confundida com ausência de dor; na vestimenta esmolambada que traja e faz o indivíduo parecer ele mesmo; na higiene escassa; no córrego pútrido aberto na paisagem; no excremento escoando sem censura; na insalubridade generalizada; na alfabetização de baixo nível; na precariedade de ir e vir; na comunicação travada; no descrédito financeiro; na sobrevivência sem alternativa.
Tais vestígios estão nas realidades populacionais com características primitivas do tempo de outro tempo.
2.2. Vestígios do Tempo
Os vestígios do tempo da realidade peculiar ao protocolo são igualmente inequívocos e diversos daqueles das outras realidades. Extraídos do tempo, do “quando” da porção da população vulnerável em que ocorre a contextualização da ação protocolar circunstanciada, esses vestígios expõem a realidade peculiar do protocolo – aquela do tempo empacado; do tempo igual ao anterior; do tempo incivilizado histórico; do tempo tendencial; do tempo sem esperança; do tempo sem perspectiva pior; do tempo ruim todo tempo; do tempo da vida apreçada sem valer nada; do tempo do tempo apressado da vida; do tempo da escravidão que não passa; do tempo da abolição da escravidão que não se completa; do tempo da injustiça social justificada sem justificativas; do tempo de situações idênticas, sem diferença entre passado, presente e futuro; do “tempo” que é um só;
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